2007 - EXPEDIÇÃO OIAPOQUE - Dia 09
9 de Setembro de 2007 @ 20:49 por Rene Delmotte
EXPEDIÇÃO OIAPOQUE
por René Delmotte
Dia 9
Domingo, 09/09/07
Alter do Chão/PA - Monte Alegre/PA
Tivemos a primeira baixa…
O Ricardo Guel não vinha passando muito bem devido à alimentação local…
Após uma noite no banheiro e um breve pit-stop no Hospital de Santarém pela manhã, por precaução, retornou para São Paulo.
Nada grave, mas muito arriscado continuar na Expedição, pois iriamos para longe da civilização, onde as condições climáticas e alimentares iriam provavelmente piorar. Valeu Ricardão!
Saímos de Alter do Chão, e voltamos para Santarém, onde pegamos a balsa, - entenda-se “navio” - que nos levaria até Santana do Tapará.



Após atravessarmos e descermos por 3 horas o Rio Amazonas com um típico almoço a bordo, e um agradável visual da mata ribeirinha, vivenciamos um pouco das dificuldades da população local. Aqui se utiliza o barco como meio de transporte, assim como em São Paulo se usa ônibus.
Chegamos a Santana do Tapará, um minúsculo vilarejo na margem esquerda do Amazonas, onde desembarcamos os carros e iniciamos o trecho de terra tão esperado até Monte Alegre.
Poucos quilômetros rodados e fortes ruídos apareceram no diferencial traseiro da Hi-Lux reparada em Santarém…

Para o carro, levanta no macaco, tira a roda, tira a panela, olha o freio, dá palpite (muitos, afinal éramos 12 “profundos conhecedores” de veículos Off-Road).
Anda para frente, anda para trás e o ruído foi localizado e diagnosticado.
Hora de importante decisão: continuar ou voltar à Santarém…
Retornar significaria atrasar o cronograma em pelo menos dois dias, e perder a balsa especialmente fretada para saírmos novamente da selva.
Continuar, significaria poder moer as engrenagens do diferencial…
Mais palpites e decisão tomada: vamos em frente, afinal havia cinco outros veículos para rebocá-lo… e um pouco de adrenalina não faria mal a ninguém.
E assim seguimos até chegarmos por volta das oito da noite a Monte Alegre, um povoado repleto de motocicletas, com a praça principal fervendo com a quermesse que acabara de acontecer. Encontramos com o guia Rodson, que nos acompanharia pela manhã, e que conhecíamos apenas por telefone. Localizamos um mecânico que se dispôs a trabalhar domingo à noite, para reparar o bendito (se considerarmos que ele resistiu até aqui) ou maldito (se considerarmos a reincidência do problema) diferencial.
Depois de algumas horas de trabalho sob a luz de lanterna, no meio da rua mal iluminada e sem ferramentas apropriadas, lá pela meia noite, o reparo estava terminado. Foi feito um ajuste muito apertado das engrenagens na oficina de Santarém, e com o movimento, aqueciam, dilatavam e tendiam a travar.
O diagnóstico dado pairava no ar, e a dúvida se o ajuste agora feito no ‘olhômetro’ daria certo,… e se as engrenagens no estado em que estavam resistiriam.
Andamos pela cidade testando o carro, e aparentemente, o defeito havia sido sanado. Mas não podíamos esquecer que haviam feito o mesmo em Santarém…
Não restava alternativa se não a de colocar amanhã o carro na trilha e ver como o bicho se comporta…
Procuramos um local para dormir, e quando achamos o João se divertiu…
Acordou todo povoado com as suas bombas e principalmente com os morteiros “treme terra” de vareta.
Fomos dormir em seis chalés situados na parte alta da cidade, e foi aí que percebemos ao acordar, que os jesuítas no passado, escolhiam estrategicamente locais elevados, para fundarem povoados e suas igrejas, que permitiam um perfeito visual do rio, por onde podia se ver de longe quem chegava para possivelmente se defender ou recepcionar…





























