EXPEDIÇÃO OIAPOQUE
por René Delmotte
A seguir, alguns comentários dos participantes que retratam um pouco do que vimos e vivenciamos nestes dezesseis dias de grande aventura.
Percorremos mais de seis mil quilômetros da saída de São Paulo até despacharem os veículos em Macapá…
Comentários do Pedrinho:
Sete de setembro, dia da Independência noite da tempestade em Santarém.
Cheguei 01:30hs à recepção do Hotel Tropical Santarém…
O recepcionista esboçando um leve sorriso diz:
- Seu quarto é o 212, no final do corredor do 2º andar.
- Ótimo – pensei.
Dia comprido, viagem longa, três escalas até Santarém, avião chacoalhando por causa dos fortes ventos, ansioso por uma noite de descanso…
Abro a porta e vejo o que parecia ser mais um alojamento militar do que um suposto Hotel da Rede Tropical. Cinco caras dormindo, um ao lado do outro em camas de solteiro, e pra mim, um pequeno colchão, que por falta de espaço, estava enfiado pela metade embaixo de um criado-mudo e gentilmente deixado a poucos centímetros da cama onde dormia um trator D-8 com motor ligado a plena carga e sem escapamento…
- Não é James?
No dia seguinte, curiosamente, me perguntaram:
- Dormiu bem?
- Não preciso dizer a resposta.
Comentários do Toninho:
Lembro-me do João sendo entrevistado e filmado pelo James, quando de repente fizemos “a dança do siri” atrás dele sem ele ver. Muito engraçado!
Da cara do René quando viu sua placa da Guiana Francesa afundar no Rio…
De após comentar com o João, de que a quantidade de cipós que havia na floresta, era imensa, e que o filme do Tarzan foi filmado nesta região, o João não teve dúvida, se agarrou em um cipó e saiu voando…
E bem, outra coisa que me causou um grande espanto, foi o ronco do James na Selva.
- Pensei que era uma Onça!!!!!!!!!!
Comentários do João Amaro:
Expedições como esta, se revestem de curiosidades e de mensagens de boa esperança entre os povos que visitamos.
Despertam paixões e invejas por onde passamos como todos nós pudemos presenciar.
Por isto, acho que fomos e somos privilegiados em poder realizar o que milhares de pessoas também gostariam de fazer.
Quanta desigualdade pudemos observar na nossa pequena Oiapoque, sentinela avançada do nosso país situada no hemisfério norte, o mais rico do globo terrestre.
Nunca poderia imaginar que assistiria a uma exposição tão degradante da nossa juventude na nossa pequenina Oiapoque. Jamais poderia imaginar que o portão de entrada do Brasil, estivesse tão abandonado pelos nossos governantes, expondo nossos irmãos brasileiros a viverem ali sem a menor expectativa de se viver dias melhores. Nossos jovens sem rumo determinado buscam a sobrevivência a qualquer preço num regime selvagem de competição por migalhas e nossas jovens adolescentes vendem seu corpo em plena praça pública.
E o pior, é que parece que isto tudo já está incorporado ao dia-a-dia dos seus habitantes.
É verdade que o homem se acostuma com tudo! Até com a fome e a miséria.
A viagem valeu também como uma fonte de conhecimento, de reforço da amizade do grupo, mas principalmente da constatação de que nossa nação tem uma enorme e impagável dívida social com os brasileiros. Penso que este quadro somente se reverterá, se os nossos governantes tiverem a consciência de que, é somente através da educação dos nossos jovens, que poderemos frear estas desigualdades“.
Por outro lado, como esquecer:
Da gororoba que o Gibotti nos preparava com sua incrível cozinha?
Das palavras de carinho do Naspeti?
Das panes das Land Rover?
Da conversa mole do Pedrinho?
Da preocupação do Toninho com suas cervejas?
Da humildade do JJota?
Da suavidade do sono do James?
Do filtro de óleo da Hi-Lux do René?
Da aranha dos dois Fernandos?
Da tranqüilidade do Domingo e seu filhote Bruno?
Comentários do Fernandinho:
“Bom amigos, digo a todos que tive a oportunidade de viver intensamente todos os dias desta viagem, pois além de ficar o dia todo ligado em tudo o que estava acontecendo, no final do dia revivia tudo novamente para escrever o diário.
Mas sempre acontecem fatos que tem uma peculiaridade, os que mais me marcaram obviamente o momento em que o carro nos deixou fotografando a aranha e seguiu viagem sozinho, mas também houveram mais dois:
O segundo episódio ocorreu no trevo de entrada a cidade de Rondonópolis, vínhamos o René, Eu (ainda sozinho no carro) e o JJ, a estrada estava muito boa e vínhamos em alta velocidade, quando diminuímos para contornar a rotatória, escutei um barulho na suspensão traseira, passei um rádio avisando que iria encostar para verificar e o JJ que vinha atrás me disse por rádio que as duas rodas traseiras do meu carro estavam soltas, quando paramos confesso que senti muito medo minhas mãos ficaram geladas e deu um nó na garganta, pensei muito em todo o grupo em minha esposa e da família, pois poderia ter acontecido um belo estrago.
O Terceiro fato ocorreu no hotel em Alter do Chão, todos se reuniram em um lindo deck de madeira onde foi servido o jantar, o James trouxe o Laptop para eu escrever o diário, abri o computador e estava conversando com o João, que estava do meu lado, quando fixei o olhar no monitor e comecei a digitar,… alguma coisa grande e gosmenta caio no meio do teclado como se alguém tivesse jogado.
Como o recinto não tinha muita claridade e eu estava olhando o monitor, demorei alguns segundos para identificar que era um sapo, logo que identifiquei o sapo sumiu e pulou no rosto do João, eu fiquei com cara de paisagem e o João não entendeu nada, isso foi a segunda coisa que mais me marcou…
Quero deixar registrado, os meus agradecimentos primeiramente a Deus, por me dar o privilégio de participar dessa Expedição com esse grupo de pessoas maravilhosas. E em segundo lugar ao grupo de Expedições BUANA por mais esse convite.
Ao final sempre temos um aprendizado e o que tenho a dizer é que sempre devemos agradecer por tudo o que temos, mesmo se acharmos pouco.
Comentários do René:
Esta Expedição ao Oiapoque vai ficar registrado para sempre em minha memória…Principalmente pelo incidente hilário…da aranha e do carro fujão.
Não vou esquecer jamais as molecagens do João que soltava bombas e morteiros treme terra de vareta “pra comemorar” e saia correndo…
E tampouco esquecerei o apetite por pimenta ‘braba’ do Naspeti, João e Domingos. Impressionante, todas eram fraquinhas e colocadas de colherada.
Quero agradecer ao Criador, que me permitiu ver o que poucos viram ou verão deste mundão, e agradecer aos meus amigos e companheiros, pois sem eles eu não teria colocado um pé em cada hemisfério.
Comentários do Bruno:
Eu não tinha idéia do que iria vivenciar, essa Expedição foi única!
Andar entre ramais, ver paisagens maravilhosas dirigir na Transamazônica debaixo de chuva tropical, e saber que isso não se faz duas vezes, pois a paisagem não será igual, nem se eu voltar hoje para lá.
Tudo isso me deixou fascinado…

Comentários do Gibotti:
É muito triste ver a situação desse nosso país, em razão dos desmandos de uma classe política bandida que se instalou no poder a longas datas.
Gostei muito da receptividade e alegria do povo humilde por onde passávamos.
Em minha opinião, o ponto alto da nossa viagem foi no trecho saindo de Monte Alegre, onde nos embrenhamos na floresta amazônica e depois de um dia todo rodando com algumas dificuldades e lindas paisagens, chegamos às margens do rio Paru, onde para nossa alegria, estava a balsa nos aguardando.
Ao voltarmos com ela, vi o longo percurso que ela percorreu para nos buscar na selva no meio do nada.
Fico imaginando quantas pessoas gostariam de ter a oportunidade de fazer o que fizemos e que sorte tivemos em poder conhecer lugares tão remotos.
Comentários do James:
Fiquei muito empolgado quando o René mencionou a idéia de procurarmos uma base aérea americana da segunda guerra mundial no meio da Amazônia como sendo o assunto em torno do qual montaríamos nossa próxima expedição.
O João que surgiu com a idéia, disse que tinha ouvido falar que antes de partirem os americanos tinham enterrado seus aviões…
Enterrado seus aviões? É isso mesmo? Por quê? Para que tanto trabalho?
Enterrar um bombardeiro da segunda guerra com aquelas asas imensas e com a cauda da altura de alguns andares de prédio exige um buraco grande e profundo – e um trabalho danado!
Se o avião ainda voasse não seria lógico levá-lo de volta para os Estados Unidos?
Se o avião não tinha mais condições de voar, porque não largá-lo ali mesmo e deixar que a selva se encarregasse dele?
Pronto. O mistério já estava firmemente plantado na minha cabeça; era só viajar uns 6000 km de 4x4 pelo Brasil Central e a Amazônia para chegar lá e descobrir!
Comentários do Ricardo:
Fiquei feliz de ter conhecido e participado de uma Expedição brilhante como esta, apesar de ter que voltar no meio dela, por motivos de saúde…
Passei momentos interessantes de rir muito, principalmente ao lado do Naspet, primeiro quando de repente “deu-lhe os faniquitos” e resolveu passar pelo João e Toninho em uma subida cheia de erosões em alta velocidade, que até o amortecedor de sua Land se partiuuuuu.
Num segundo momento, voltando a pé da cachoeira de Curuá, me deparei com o James e o René, e segundo o René, eu estava com o radiador furado e a ventoinha ligada naquela subida, mas não foi a toooooa, pois tinha achado um ótimo ponto para você tirar fotos e filmar a cachoeira, você se lembra????
Depois aconteceu a mesma coisa, o René achou que estava com um tanque de guerra e passou todos numa velocidade maravilhoooooooosa, mas aí aconteceu de noooooovo, o carro quebrou, não foi o amortecedor, mas sim o freioooooooo.
Ver uma pepita foi interessante, mas no fundo é um outro Brasil, estradas de terra, escolas abandonadas, povo largado, abandonado. Vimos desmatamentos irregulares, por não termos uma política de 1º mundo, basta prestigiar o remanejo florestal, mas para que????
Obrigado por terem me acolhido e ainda vou aceitar um charuto seu James…
Isso tudo aconteceu na serra do cachimbo.
Comentários do JJ:
Como descrever algo a quem não esteve lá, de um modo que possa entender, a grandeza adormecida de um gigantismo que a própria vista não consegue mensurar. Só maior pelo povo que nela está, carinhoso, disponível, prazeroso de se conversar, poderia falar das incríveis imagens gravadas para sempre na memória e neste livro, da grande aventura que para mim se traduz no dia-a-dia inesperado da Expedição e suas incertezas, completar ou não os objetivos em face das inúmeras dificuldades, estes alcançados com incríveis companheiros que mesmo com grande diversidade de conhecimentos e temperamentos, se tornam coesos em torno de uma camaradagem e amizade que deixam saudades e lágrimas nos olhos ao final.
Obrigado aos amigos e companheiros, que me proporcionaram mais uma experiência única e insubstituível em minha vida.
Comentários do Naspeti:
“Ao fazer uma viagem de longo percurso, procura-se obedecer a um cronograma à risca, visto que todos os participantes não gozam de extensos períodos de ausência de suas atividades.
Dentro do que foi proposto, considero que pudemos conhecer resumidamente os lugares por onde passamos, proporcionando experiências ímpares e inesquecíveis, como por exemplo:
- Contemplar árvores de altura inimaginável a um paulistano, mostrando a exuberância de nossa flora;
- Dormir em acampamento sob o céu “absolutamente recheado” de estrelas, com direito à sinfonia proveniente da mata;
- Viajar de balsa à noite deitado na rede, com a brisa cortando nossas faces no meio da escuridão de um rio;
- Encontrar uma fábrica desativada no coração da selva, e imaginar o esforço e coragem destes homens em sua época;
- Comer ½ laranja no hemisfério sul e ½ laranja no hemisfério norte, no mesmo minuto.
Infelizmente não há espaço para descrever todas minhas impressões, gravadas em minha memória.
Concluindo, que fique registrada nesta obra, que comprovei “in loco” grande parte daquilo que os jornais periodicamente denunciam: o governo trata a população daquela região com absoluto descaso. Recordes de arrecadação são batidos, divulga-se que o Brasil é a 6ª. economia mundial, etc, etc, e você encontra esgoto a céu aberto nas cidades, hospitais em péssimas condições de higiene, o governo distribuindo “esmolas” e incinerando a esperança e ambição dos jovens, promovendo a apologia da vadiagem e aculturamento, entre outras violações à dignidade humana.
Seria muito bom se ao menos 1/3 da classe média da região Sudeste pudesse fazer uma viagem assim, pois certamente visitaria as urnas de forma consciente e responsável, e exigiria a correta destinação dos impostos que se recolhe.”

Comentários do Fernando:
Prometeu escrever o ano passado… continuamos esperando !
Comentários do Domingo:
Quietinho como sempre, não se manifestou.